Na rádio latinoamericano o internauta poderá comprovar a tese que a América Latina guarda muito mais identidades do que julga o senso comum.
Para o professor Emir Sader, não há nada mais próximo que um camponês latinoamericano que outro camponês latinoamericano. E isso se reflete na música tradicional e folclórica. Há temáticas muito próximas entre canções brasileiras e mexicanas ou chilenas.
Nesta primeira edição, são comparadas as músicas El Preso Numero Nueve, do México, e Cabocla Teresa, do Brasil.
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Música camponesa da América Latina
A temática do homem traído
Em El Preso Numero Nueve, de Roberto Cantoral, aqui interpretada por Joan Baez, um homem está em sua cela confessando ao padre antes da execução no paredão. O crime: assassinar a mulher depois de vê-la com o amante. O homem traído não se arrepende do assassinato e diz que faria o mesmo se nascesse novamente.
A temática do homem traído que "lava a honra" assassinando a mulher também está presente na música de raíz brasileira. Em Cabocla Tereza, um clássico de Raúl Torres, um viajante presencia um assassinato num casa de sapê. Diante do ocorrido, ele corre para chamar o delegado. Os dois ouvem então a história do crime.
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El preso numero nueve ya lo van a confesar
Esta encerrado en la celda con el cura del penal
Y antes del amanecer la vida le han de quitar
Porque mató a su mujer y a un amigo desleal
Dice así al confesar
Los maté si señor
Y si vuelvo a nacer
Yo los vuelvo a matar
Padre no me arrepiento
Ni me da miedo la eternidad
Yo se que allá en el cielo
El que juzga nos juzgará
Voy a seguir sus pasos
Voy a buscarla hasta el más alla.
Ay. yayayayayyyyy
El preso numero nueve era un hombre muy cabal
Iba en la noche del pueble muy contento en su jacal
Pero al mirar a su amor en brazos de su rival
Ardió en el pecho el rencor y no se pudo aguantar
Al sonar el clarín se formo el pelotón
Iban al paredón solo alcanzo a decir:
Padre no me arrepiento ni me da miedo la eternidad
Yo se que allá en el cielo el que juzga nos juzgará
Voy a seguir sus pasos voy a buscarla hasta el más alla.
Ay. yayayayayyyyy yaay |
"Lá no alto da montanha
Numa casinha estranha
Toda feita de sapê
Parei numa noite à cavalo
Pra mór de dois estalos
Que ouvi lá dentro bate
Apeei com muito jeito
Ouvi um gemido perfeito
Uma voz cheia de dor:
"Vancê, Tereza, descansa
Jurei de fazer a vingança
Pra morte do meu amor"
Pela réstia da janela
Por uma luzinha amarela
De um lampião quase apagando
Vi uma cabocla no chão
E um cabra tinha na mão
Uma arma alumiando
Virei meu cavalo a galope
Risquei de espora e chicote
Sangrei a anca do tar
Desci a montanha abaixo
Galopando meu macho
O seu doutô fui chamar
Vortamo lá pra montanha
Naquela casinha estranha
Eu e mais seu doutô
Topemo o cabra assustado
Que chamou nóis prum lado
E a sua história contou"
Há tempo eu fiz um ranchinho
Pra minha cabocla morá
Pois era ali nosso ninho
Bem longe deste lugar.
No arto lá da montanha
Perto da luz do luar
Vivi um ano feliz
Sem nunca isso esperá
E muito tempo passou
Pensando em ser tão feliz
Mas a Tereza, doutor,
Felicidade não quis.
O meu sonho nesse oiá
Paguei caro meu amor
Pra mór de outro caboclo
Meu rancho ela abandonou.
Senti meu sangue fervê
Jurei a Tereza matá
O meu alazão arriei
E ela eu vô percurá.
Agora já me vinguei
É esse o fim de um amor
Esta cabocla eu matei
É a minha história, dotor. |