O General em seu labirinto, de Gabriel García Márquez
O General em seu labirinto narra os últimos dias de Simón Bolívar Hoje, ao olhar as bandeiras da Venezuela, da Colômbia e do Equador um observador pouco atento pode ver as semelhanças nas listras e não perceber que talvez um dia todas essas nações possam ter sido uma só. A idéia de unidade latino-americana parece ainda mais distante ao ler notícias das farpas trocadas entre os presidentes ou sobre as cíclicas crises que vivem os países da América do Sul. José Antonio de la Santísima Trinidad Simón Bolívar y Palacios, o Simón Bolivar (1783-1830), sonhou um dia com uma nação unida e independente. O General em seu Labirinto, do autor colombiano Gabriel García Márquez, conta os últimos dias desse sonho e mostra que, apesar da tuberculose, a verdadeira causa da morte do Libertador foram as mesmas cegueiras que as elites latino-americanas insistem em manter. Quem foi Simón Bolívar Nascido na aristocracia criolla venezuelana, Bolívar só se desenvolve como um revolucionário latino-americano a partir de 1795, depois da morte dos pais quando muda para a casa de seu mestre Simón Rodriguez. Em 15 de agosto de 1805, depois de assistir à chegada ao poder de Napoleão, faz o famoso juramento do Monte Sacro em que promete libertar a América do domínio espanhol. De fato, pelos anos seguintes todos os esforços são, não só para conquistar a independência, mas para fazer da América uma só nação. A primeira experiência de guerra foi em 23 de julho de 1811 ainda sob as órdens de Francisco Miranda. Em 24 de dezembro de 1812, Bolívar inicia a campanha do Rio Magdalena, na atual Colômbia, que na época se chamava Nova Granada. Em 14 de outubro de 1813, depois de uma entrada triunfal em Caracas, Venezuela, o Conselho de Caracas, em assembléia pública aclama Bolívar como general e Libertador.
As lutas seguem na parte setentrional da América do Sul, enquanto que, mais ao sul, o general San Martí também segue na luta pela independência da Argentina e do Chile. Em 17 de dezembro de 1819 cria a república da Colômbia, da qual é eleito presidente.então dividida em três departamentos: Venezuela, Cundinamarca e Quito. Em 16 de junho de 1822, Bolívar faz a entrada triunfal em Quito, ao lado do que ele mesmo considerava seu sucessor, o marechal Sucre. Também em Quito Bolívar conhece Manuela Sáenz, que foi sua grande companheira. Em 1823, o Perú pede ajuda a Bolívar para auxiliar no processo de independência. Em 1824 são travadas as batalhas finais: 06 de agosto, em Junín; 5 de dezembro, libertação de Lima. No dia 9 de dezembro, Sucre vence a batalha de Ayacucho que marca a liberdade de toda a América espanhola. Bolívar recusa o 1 milhão de pesos oferecido pelo Congresso do Perú mas aceita a mesma quantia que correspondia a seus soldados. Também renuncia à presidência com poderes ilimitados.
Em 6 de agosto, a assembléia do Alto Perú decide a criação da República da Bolívia e em 25 de maio de 1826 envia o projeto de constituição boliviana.
É nesta data que começa o livro de García Márquez. Bolívar está triste com as guerras civis e mais ainda com corrupção e desleixo com os bens públicos promovidos pelos novos mandatários, como mostra o seguinte trecho. "Sábado ocho de mayo del año treinta, día de la Santísima Virgen, medianera de todas las gracias", anunció el mayordomo. "Está llovendo desde la tres de la madrugada" "Desde las tres de la madrugada el siglo diecisiete", dijo el general con la voz todavía perturbada por el aliento acre del insomnio. Y agregó en serio: "No oí los gallos". Ouça a música Simón Bolívar, gravada pelo grupo Inti-Illimani, em homenagem ao Libertador. Na voz de Angel e Isabel Parra, a música de Rolando Alarcón, Yo defiendo mi tierra, que não se refere originalmente à Bolívar, mas que reflete bem o desejo de liberdade para a América.
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