Por Alexandre Barbosa * O argentino Ernesto Che Guevara, desde os movimentos estudantis dos anos 60, sempre foi um modelo de inspiração para os revolucionários do mundo. O contexto do assassinato na Bolívia, aliado à história de Guevara, contribuíram para aumentar a paixão em torno de sua figura. A morte prematura lhe deu um aspecto sempre jovem, desafiante. O ideal de lutar por outros povos, deixando o cargo de ministro em Cub, além de outras passagens da biografia (ver especial sobre Che) sempre foram motivo de admiração. Nas palavras de Fidel, um modelo de homem. No entanto, as qualidades intelectuais de Ernesto Guevara não são tão conhecidas. Há até quem, na tentativa de desqualificar o mito latino-americano, tente ver apenas fracassos nos ideais de Che (ver crítica sobre a capa da Veja). É dever da história, portanto, preservar também o pensamento crítico do guerrilheiro, que não foi "apenas" um revolucionário, mas um dos intelectuais mais preparados da América Latina. Essa é a idéia principal da diretora do Centro de Memória sobre Che de Havana, Maria del Carmen Ariet. Maria del Carmen participou de debate no dia 26 de outubro de 2008, no Memorial da América Latina, São Paulo, como parte da mostra "Ernesto Guevara, também conhecido como Che", promovida em conjunto pela Editora Expressão Popular, Brazucah Produções, Livraria Cultura e o Memorial da América Latina. A sociológia cubana falou após a exibição do documentário "Che onde nunca o imaginam”, de Pedro Suarez. Para ela, Guevara sempre foi árduo estudioso da esquerda, mesmo antes de conhecer Fidel Castro, durante o exílio no México. E, depois do triunfo da revolução, ainda comandante de La Cabaña e depois como Ministro, sempre defendeu idéias marxistas avançadas. "Che foi o incentivador da aproximação de Cuba com os países socialistas, já em 1960", conta Maria del Carmen. Che foi coerente nos atos e nas idéias. Uma de suas principais batalhas era que para o comunismo prosperar era preciso ter uma mente comunista. Por isso, sempre participava do trabalhos voluntários, fez críticas do socialismo que se praticava no leste europeu e lutou muito pelo desenvolvimento industrial cubano, para que a ilha não fosse uma economia primário-exportadora. "Quanta razão tinha Che quando dizia que se não houver união dos países do terceiro mundo e se não se aproveitasse o contexto da crise do capitalismo, em 50 anos não se conseguiria a libertação dos povos", lembrou a socióloga. Imagem de Che Como diretora do Centro de Memória, Maria del Carmen preocupa-se com o legado e a imagem de Guevara. "Em novembro de 67 os estudantes em protesto já usavam a imagem de Che, depois em 68, jovens adotam a imagem como modelo de rebeldia e revolução, é com esse objetivo que nasce o uso da famosa imagem feita por Korda (leia sobre a foto feia pelo fotógrafo Alberto Korda)", mas é claro que o mercantilismo faz uso disso", conta Maria Del Carmen sobre o uso que a indústria cultural faz da imagem do revolucionário. A diretora do Centro de Memória diz que sempre que vê o rosto de Guevara em algum objeto a venda, se pergunta: o que diria Che sobre isso, como no caso de um camponês, no Equador, que fazia pequenos tambores pintados a mão, com a imagem do Che em cores indígenas. "Pode-se fazer a leitura que a venda ajuda o camponês a dar comida para seus filhos", anallisa. Leia também |
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| Bibliografia para conhecer mais sobre Che Guevara | |
Ernesto Guevara: também conhecido como Che, Paco Ignácio Taibo II, Editora Expressão Popular Che Guevara: Uma Biografia, Jon Lee Anderson, Editora Objetiva, 924 páginas De Moto Pela América do Sul, Diário de Viagem, Che Guevara, Editora Sá, 190 páginas Congo Passagens da Guerra Revolucionária, Che Guevara, Editora Record, 294 páginas Outra Vez, Che Guevara, Editora, Ediouro, 236 páginas Política Che Guevara, Eder Sader, Editora Expressão Popular, 301 páginas O Diário do Che na Bolívia, Che Guevara, Editora Record, 238 páginas Socialismo e Juventude: Textos e Fotos, Che Guevara, Editora Anita Garibaldi, 124 páginas O Socialismo Humanista, Che Guevara, Editora Vozes, 105 páginas Sem Perder a Ternura – Che Guevara, Editora Record, 126 páginas Cartas a Che Guevara – Emir Sader, Editora Paz e Terra S/A, 88 páginas Che Guevara e o Debate Econômico em Cuba, Luiz Bernardo Pericas, Editora Xamã, 240 páginas Quem Matou Che Guevara, Saulo Gomes, Editora Elevação, 224 páginas O Ministro Che Guevara, Tirso Saez, Editora Garamond, 288 páginas O Jovem Che Guevara, Roniwal T. Jatoba, Editora Nova Alexandria, 160 páginas Filme Che Guevara: homem, companheiro e amigo Se você gostou desta reportagem, leia também:
* Alexandre Barbosa é professor de jornalismo, mestre em jornalismo pela USP, especialista em jornalismo internacional pela PUC-SP. Clique aqui para entrar em contato. |
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