REPORTAGEM ESPECIAL: Região Sisaleira

 

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Sisal foi considerado o ouro branco do sertão

SisalO sisal é imprescindível na economia da região noroeste da Bahia desde a década de 60, quando surgiram as primeiras investidas no setor que se estende por 75 municípios, em uma área de 190 mil Km. A Bahia responde por 95% da produção nacional, à frente dos estados da Paraíba e Rio Grande do Norte e cerca de 700 mil famílias sobrevivem direta ou indiretamente do cultivo da fibra.

O sisal vem sofrendo um declínio acentuado, principalmente na região sisaleira do semi-árido baiano, apesar de ter pautado por muito tempo a economia local. Quando surgiu, na década de 60, passava por um processo primitivo para ser desfibrado, num sistema conhecido como motor de farrancho, em que só era possível a produção de cerca de 100 quilos de fibra por mês. Porém, o produto era tão valorizado economicamente, que esta pouca produção era o suficiente para atender às necessidades de uma família de 10 pessoas durante o período de uma semana. Por isso, era chamado de ouro branco.

Em meados dos anos 70, surgiu um motor mais moderno, movido a óleo diesel. Através deste mecanismo a capacidade produtiva foi aumentada em cerca de 30 vezes. E a plantação do sisal se expandia na mesma proporção em que seu preço despencava, impulsionado pelos excessos na produção.

Mesmo com o preço baixo, os sertanejos viram nas palhas verdes – que resistem, bravamente, à seca – uma nova forma de viver dignamente. Durante as duas décadas seguintes, houve uma devassa nas caatingas baianas, substituídas por longos e intermináveis estaleiros verdes.

Durante o Plano Cruzado, no início de 1986, os produtores já se queixavam dos baixos preços para a venda. Os atravessadores alegavam que não conseguiam exportar todo o produto que, em sua grande maioria, era destinado à Europa. Nesta época, todos os preços foram congelados, inclusive os do sisal. No entanto, quando os demais produtos da economia alavancaram a inflação do país, a fibra do sisal continuou estagnada. O quilo custava o equivalente a 14 pãezinhos franceses.

No primeiro bimestre do governo Collor, essa agricultura de subsistência encontrava-se no ápice de seu declínio e o quilo correspondia a dois pães franceses. Os compradores do material alegavam não haver uma política de exportação e o mercado brasileiro não tinha condição de absorver toda a produção nacional.

Sisal. Fotos: site MOCPortanto, a oferta em excesso desvalorizava cada vez mais o ouro branco do sertão. O homem do campo, desolado, buscava explicação para a ruína de sua economia. Houve humores de que os estrangeiros haviam substituído o insumo brasileiro pelos sintéticos tecidos chineses e sul-coreanos.

Novamente, os produtores do noroeste da Bahia, uma das mais secas do Brasil, voltaram-se para a pecuária, ramo de atividade que nunca fora próspera devido à escassez de chuvas. Os sertanejos utilizam a palha do sisal como ração para o gado, pois não compensava mais o desfibramento delas.

Motores movidos a diesel para obter a fibra do sisal custavam muito caro e, rapidamente ela foi substituído pelo capim. Atualmente, estima-se que ainda haja 30% por cento de toda aquela plantação resistindo ao tempo e o quilo do insumo é vendido a R$1,00 real, o preço equivalente a 5 pãezinhos, a moeda que sempre avaliou o preço da fibra do sisal. Hoje, já existem fábricas na região que consomem uma pequena parcela do cultivo regional, mas tudo voltado,apenas, para a fabricação de artesanato.

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