Lançamento do site latinoamericano

 

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Homenagem à cultura latino-americana marca
lançamento do www.latinoamericano.jor.br

"Choveu durante quatro anos, onze meses e dois dias [...] O céu desmoronou-se em tempestades de estrupício e o Norte mandava furacões que destelhavam as casas, derrubavam as paredes e arrancavam pela raíz os últimos talos das plantações." G.García Márquez, Cem Anos de Solidão.

Lançamento no Canto MadalenaUma chuva tal qual caiu em Macondo despencou na hora marcada para o evento. Parecia, como em "Cem Anos de Solidão", estratégia do imperialismo para acabar com as manifestações.

Porém, cerca de 50 pessoas conseguiram dribar a tempestade e compareceram ao bar Canto Madalena na tarde de 27 de outubro para marcar, oficialmente, o surgimento de mais uma voz para a América Latina popular.

O evento contou com a apresentação do Grupo Sendero que trouxe clássicos do folclore latino-americano como Simón Bolíviar, Canción y Huayno e Guantanamera. O ponto mais emocionante foi a declamação do poema América Latina, do poeta peruano Nicomedes Santacruz (leia o poema completo abaixo).

O latinoamericano.jor é o resultado prático da dissertação de mestrado defendida na USP em 2005, pelo jornalista Alexandre Barbosa. Como diz o uruguaio Eduardo Galeano, na abertura do livro Veias Abertas da América Latina, "temos guardado um silêncio muito parecido com a estupidez", pois a indústria jornalística não tem a América Latina popular como categoria de seleção de notícias.

Quando essa região ganha as manchetes dos jornais, a abordagem é voltada ou para o exótico, ou para a senzala, ou para a catástrofe ou para a crimininalização dos movimentos populares. Outra característica comum da indústria jornalística brasileira é tratar a América Latina como os outros, como se o Brasil não fizesse parte desta parte do mundo.

Por isso, o evento de lançamento reuniu músicas tanto em português como em espanhol e os jornalistas, professores e universitários presentes apreciaram tanto pratos típicos da culinária regional brasileira (como feijoada e escondidinho), quanto bebidas como mojitos e caipirinhas. O poema América Latina, interpretado pelo grupo Sendero, mostra essa mistura que é a América Latina popular, objeto do site latinoamericano. Veja as fotos do evento.

América Latina
(Nicomedes Santacruz, poeta peruano)

Mi cuate, mi socio, mi hermano,
aparcero, camarada, compañero,
mi tata, m'hijito, paisano...
He aquí mis vecinos,
he aquí mis hermanos.

Las mismas caras latinoamericanas
de cualquier punto de América Latina:
indoblanquinegros,
blanquinegrindios,
y negrindoblancos.

Todos se quejan:
'¡Ah, si en mi país no hubiese tanta politica!'
'¡Ah, si en mi país no hubiera gente paleolitica!'
'¡Ah, si en mi país no hubiese militarismo!'
'¡Ni oligarquía, ni chauvinismo, ni burocracia,
ni hipocresia, ni clerecia, ni antropofagia!'
'¡Ah, si en mi país...!'

Alguien me pregunta de dónde soy
y yo no contesto lo siguiente:
Nací cerca de Cuzco,
admiro a Puebla,
me inspira el ron de las Antillas,
canto con voz argentina,
creo en Santa Rosa de Lima,
y en los orichas de Bahía.

Yo no coloreé mi continente,
ni pinté verde a Brasil,
amarillo a Perú y roja a Bolivia.
Yo no tracé líneas territoriales
separando al hermano del hermano.

Poso la frente sobre el Río Bravo,
me afirmo, petreo sobre el Cabo de Hornos,
hundo mi brazo izquierdo en el Pacífico
y sumerjo mi diestra en el Atlántico;
por las costas de Oriente y Occidente,
doscientas millas entro a cada Océano;
sumerjo mano y mano
y así me aferro a nuestro Continente,
EN UN ABRAZO LATINOAMERICANO.

Lançamento Site Latinoamericano no Bar Canto Madalena Lançamento Site Latinoamericano no Bar Canto Madalena
Cenas do lançamento: a América Latina ganha mais uma voz.
Fotos: Bruna Andrade
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29/10/07