Tarancón

 

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TarancónTarancón é o nome de uma banda brasileira criada com o objetivo de pesquisar e divulgar a diversidade de ritmos e canções latino-americanas. O grupo é composto de artistas de vários países da América Latina e foi fundado em 1973. Participou de alguns festivais e fez enorme sucesso no circuito universitário brasileiro. Sua música é influenciada por ritmos brasileiros, andinos, caribenhos e folclóricos latinos.

Para saber mais:

Link no MySpace: http://www.myspace.com/tarancon

Tarancón_1O nome do grupo, Tarancón, era também o nome de uma mina de carvão na Espanha que desabou ocasionando a morte de muitos trabalhadores (história contada na canção En la mina el Tarancón). Unindo instrumentos andinos como a quena (flauta de bambu), a zamponha (flauta de pan), a tarka (flauta no formato de totens), o bombo leguero (bumbo de pele de ovelha), o charango (bandolim feito com casco de tatu), ao violão e baixo elétrico, o grupo fez uma inteligente síntese entre os sons do folclore e do cancioneiro latino-americano.

A formação original tinha Miriam Miràh, Emílio de Angeles Nieto, Marli Pedrassa, Alice, Halter, Jica Nascimento e Turcão. Os primeiros ensaios do Tarancón aconteceram no ano de 1972. Hoje o o grupo é formado por um de seus fundadores, Emilio de Angeles (flautas andinas, voz e percussão), Jorge Miranda (baixo, charango e voz), Enan Racan (violão, cuatro, percussão e voz), Ademar Farinha (flautas andinas, viola e charango) e Claúdia Lemos (bombo leguero, percussão e voz)

O repertório recheado de canções folclóricas e de protesto fez o grupo ser cultuado por estudantes nas faculdades, centros acadêmicos e universidades. Executavam canções de autores como os chilenos Violeta Parra e Victor Jara, os cubanos Pablo Milanés e Silvio Rodrigues, o argentino Atahualpa Yupanqui e os brasileiros Milton Nascimento e Geraldo Vandré.

O Tarancón dividiu espetáculos com Mercedes Sosa, Milton Nascimento, Chico Buarque, Almir Sater, MPB 4, Angel Parra, Marlui Miranda e outros. Um dos momentos de destaque em sua carreira foi a participação do Festival dos Festivais da Rede Globo em 1985 com a canção Mira Ira - de Lula Barbosa e Vanderlei de Castro e defendida em conjunto com Lula, Miriam Mirá e Placa Luminosa - que venceu os prêmios de melhor arranjo e segundo lugar geral. Representaram a América Latina no Festival de Asilah no Marrocos em 1987.

Discografia
Gracias a La Vida (1976)
Lo único que Tengo (1978)
Rever Minha Terra (1979)
Bom Dia (1981)
Ao vivo (1982)
Amazona Vingadora (1985)
Terra Canabis (1986)
Mama Hue (1988)
Vuelvo para Vivir (1997)

Leia o depoimento do fundador do grupo, Emilio de Angeles

O Tarancón começa sua caminhada no meio estudantil na base do buxixo, do "boca a boca" no início da década de setenta e, desde que recusou uma apresentação no programa Fantástico, montou seu longo, difícil e próprio caminho no meio musical, sendo o primeiro grupo a montar sua gravadora independente ou alternativa. Também seria o pioneiro a misturar música brasileira e latinoamericana, além de ter em seus shows um pintor elaborando suas obras ao vivo.

Nos anos oitenta, o Tarancón seria o único a se apresentar em todos os comícios "Diretas Já" em São Paulo e, mesmo se tratando de 300.000 mil pessoas no terceiro encontro e mais de 1.500.000 de pessoas no último, nenhum canal de TV mostrou imagens ou comentários a respeito de sua participação. Mesmo assim, o Tarancón fez mais de 3.500 apresentações em parques, praças, paróquias, penitenciárias, praias, palanques,favelas, sindicatos, estádios, ginásios, salas de aulas, festas de peão, bibliotecas, ruas, muitas universidades e faculdades, muitos e muitos teatros em centenas de cidades do Brasil.

Acreditem, o Tarancón já se apresentou até em rinha de galo! Nestes anos todos tocou junto a artistas bolivianos, chilenos, cubanos, paquistaneses, marroquinos, espanhóis, argentinos, turcos, brasileiros, nicaraguenses, paraguaios, peruanos, uruguaios. O Tarancón mostrou sua maneira de pensar e sua personalidade quando defendeu a música Mira Ira (Lula Barbosa-Vanderlei de Castro) no Festival dos Festivais (Rede Globo-Shell), com Mais de 48.000 participantes inscritos. Festival que venceu com os votos do júri e o voto popular, venceu mas não levou. Por algum motivo oculto a música passou para o segundo lugar, mas levou o prêmio de melhor arranjo. Mas o mais importante neste festival foi que tanto no ginásio Ibirapuera como no Maracanãzinho, o povo todo cantava pela primeira vez um refrão em Tupi-Guarani: Anana ira anana ira mira ira anana Tupi.....

Em 2005, o Tarancón foi o único grupo de música popular a participar do Festival Internacional de Campos de Jordão, junto com o coral da Universidade Tom Jobim, na obra do maestro argentino Ariel Ramirez, a Misa Criolla. Em 2006, foram convidados do maior festival de artes da América: o Festival América do Sul de Corumbá (MS) que, segundo uma das coordenadoras,foi inspirado na obra do Tarancón. Mercedes Sosa, Juan Falú, Milton Nascimento, Gil, Chico Buarque, Plinio Marcos, Angel e Isabel Parra, Gabriel Garcia Marquez, Eduardo galeano, Almir Sater, Renato Texeira, Paulinho da Viola, Clementina de Jesus, Gonzaguinha, Antonio Fagundes, Alfredo Zitarrosa, Los Olimarenhos, Pablo Milanes, Los Jaivas, Barroco Andino,Sabi Brothers, Milionário e Zé Rico, Geraldo Vandré, Martinho da Vila, Zé Geraldo, Savia Andina, João Bosco, Lucho Cavour, La Cumbre Flamenca, Tom Ze, Marlui Miranda, Xitãozinho e Xororo, Saulo Laranjeira, Fafa de Belem, Cutumay Camoes, Rolando Boldrin, Grupo Kyrigue Nheem, Los Masis, Chico César.....são artistas com os quais o tarancon já repartiu o palco.

O Tarancón é completamente "vira-lata". Mescla músicas brasileiras com andinas, xaxados com zamponhas, cumbias e pontos com apitos, rumbas com afoxés, chacareras com baião, é esta mistura a marca registrada do grupo. Toyos, quenas, violões, unhas de cabra, paus de chuvas, charangos, vilolas caipiras, bombo leguero, zamponhas, baixo, weos paris, tarkas, quatro venezolano, quenachos, são as armas-instrumentos do Tarancón, e claro, as vozes. E, assim assim e pouco a pouco, continuamos no boca a boca.....

 

Adaptado da Wikipedia, a enciclopédia livre.