Isabel Parra se apresenta no Brasil

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Para Isabel Parra, a América Latina ainda
"limita al centro de la injusticia".

Por Alexandre Barbosa
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Isabel ParraNo encerramento do Projeto Mulheres do Sol, iniciativa promovida pelo Centro Cultural Banco do Brasil que retratou a América do Sul por vozes femininas, a platéia brasileira pôde assistir a umas das figuras mais representativas da canção popular latino-americana: Isabel Parra.

A chilena Isabel, filha de Violeta Parra, considerada a mãe da música latino-americana, dividiu o palco com a cantora brasileira Miriam Mirah no dia 29 de abril em duas apresentações. Isabel conversou, com exclusividade, com o latinoamericano após o show das 13h. "No Chile, infelizmente, sou a única mulher que ainda prossegue com o movimento da Nueva Canción", admitiu. O movimento a que se refere a artista se iniciou no Chile nos anos 60 e trouxe para a música popular a temática social. Isabel e seu irmão, Angél, fundaram a Tenda de Los Parra, destinada a cultivar o legado de Violeta Parra. Ela sofreu com a ditadura de Pinochet, teve de se exilar e desde então percorre o mundo divulgando a música latino-americana.

Isabel ParraGanhadora de vários prêmios, Isabel, além de divulgar as raízes da cultura, explicando as origens dos instrumentos e contando a história dos compositores, faz questão de manter a temática social em todas as suas apresentações. Em uma de suas interpretações mais famosas, "Al Centro de la Injusticia", Isabel expõe feridas históricas das injustiças econômicas e sociais do Chile (veja letra abaixo) que ainda continuam. "Não só no Chile", diz Isabel, "mas em toda a parte, pois com globalização e as políticas neoliberais há muita injustiça e o povo carece do básico".

Isabel sente-se feliz por deixar sementes plantadas por todas as partes em que esteve. De fato, ver Isabel Parra no palco é sentir-se mais próximo de Violeta Parra e entender, definitivamente, que os laços que unem a manifestações artísticas da América Latina são muito fortes.

Projeto Mulheres do Sol retrata a América Latina pelas vozes femininas

Miriam MirahisabelO show do dia 29 foi aberto pela brasileira Miriam Miráh, uma das fundadoras do grupo Tarancón e atualmente no Raíces de América. Miriam homenageou Milton Nascimento, Caetano Veloso e Chico Buarque, este com uma interpretação original da música Tanto Mar. A inesquecível Mira Ira foi uma das canções mais aplaudidas, cantada em coro com a platéia. Nas palavras dela, Mira Ira já ganhou vida própria. Miriam apresentou Isabel ao som de Pueblos Americanos, um hino da unidade latino-americana e voltou para o encerramento cantando ao lado da chilena com Lo que más quiero.

Isabel toca o cuatro, instrumento típico venezuelano que lhe acompanha há anos. No palco, estava acompanhada pelo seu neto Antar e pelo jovem músico italino Roberto Trenca. El cantar tiene sentido, canção popular da Venezuela, dá o tom da emoção do espetáculo. Quando ela intepreta La Jardinera é difícil segurar a emoção. Parece que a própria Violeta está no palco, com a voz aguda e o suave balançar ao ritmo das cordas. Clique aqui e veja um trecho desta apresentação.

Miriam e Isabel Isabel Parra
Acima, Miriam Miráh divide o palco com Isabel Parra. Ao lado Isabel Parra com o mapa da América do Sul: cenário reforça o sentimento de união latino-americana.

Veja um trecho da apresentação conjunta de Miriam Miráh e Isabel Parra, com Volver a Los 17, no encerramento do projeto Mulheres do Sol, em vídeo postado no You Tube.

 


01/05/08

Conheça as letras e ouça algumas canções interpretadas por Isabel Parra
Ayudame Valentina
Violeta Parra
Clique aqui para ouvir
Al Centro de la Injusticia
(Violeta e Isabel Parra)
Clique aqui para ouvir
Qué vamos a hacer con tantos
y tantos predicadores,
unos se valen de libros,
otros de bellas razones.
Algunos de cuentos varios,
milagros y apariciones
y algunos de la presencia,
de esqueletos y escorpiones
mamita mía.

Qué vamos a hacer con tanta
plegaria sobre nosotros,
que alega en todas las lenguas
de gloria y de esto y de lo otro.
De infiernos y paraísos,
de limbos y purgatorios,
edenes y vida eterna,
arcángeles y demonios
mamita mía.
Que sí, que adoren la imagen
de la señora María
que no se adore ninguna
señora ni señorita,
que sí, que no, que mañana,
que un viernes de amanecida,
que pa dentrar en la gloria,
dinero se necesita
mamita mía.

Qué vamos a hacer con tanto
tratado del alto cielo,
ayúdame Valentina
ya que tú volaste lejos,
dime de una vez por todas
que arriba no hay tal mansión,
mañana la ha de fundar
el hombre con su razón,
mamita mía.
Chile limita al norte con el Perú
y con el Cabo de Hornos limita al sur,
se eleva en el oriente la cordillera
y en el oeste luce la costanera.
Al medio están los valles con sus verdores
donde se multiplican los pobladores,
cada familia tiene muchos chiquillos
con su miseria viven en conventillos.
Claro que algunos viven acomodados,
pero eso con la sangre del degollado.
Delante del escudo más arrogante
la agricultura tiene su interrogante.
La papa nos la venden naciones varias
cuando del sur de Chile es originaria.
Delante del emblema de tres colores
la minería tiene muchos bemoles.
El minero produce buenos dineros,
pero para el bolsillo del extranjero;
exuberante industria donde laboran
por unos cuantos reales muchas señoras
y así tienen que hacerlo porque al marido
la paga no le alcanza pal mes corrido.
Pa no sentir la aguja de este dolor
en la noche estrellada dejo mi voz.
Linda se ve la patria señor turista,
pero no le han mostrado las callampitas.
Mientras gastan millones en un momento,
de hambre se muere gente que es un portento.
Mucho dinero en parques municipales
y la miseria es grande en los hospitales.
Al medio de Alameda de las Delicias,
Chile limita al centro de la injusticia.

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