Músicas progressistas da Igreja Católica

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A msica que liberta
Por Vnia Correia

A Teologia da Libertação animou a caminhada da Igreja Católica da América Latina a partir da década de 60. Diante do contexto de dominação social, cultural, política e econômica da América Latina por parte da Europa e dos EUA, a Igreja entendeu a necessidade de uma prática libertadora e de uma evangelização que levasse em conta a realidade do excluído, promovendo vida em plenitude. É a Teologia da Libertação que anima e ilumina, ainda hoje, a vida nas CEB’s (Comunidades Eclesiais de Base), nas pastorais da juventude e nas pastorais sociais.


Nesse contexto a música ocupa um lugar importante como manifestação de fé e clamor a Deus. Ela expressa o jeito de pensar, sentir e agir. Os cantos inspirados na Teologia da Libertação se distinguem dos que animam uma Igreja mais conservadora ou a dita “renovada”. São cantos que falam do pobre, do índio, do negro, e de todos aqueles que de algum modo estão postos à margem. Louva o Deus libertador, que toma partido do oprimido contra o opressor. Fala da fé encarnada na realidade, da luta da América Latina, ou como diz a canção “A fé do homem nordestino, que busca um destino, um pedaço de chão, a luta do povo oprimido que abre caminhos, transforma a nação”, (Ofertório do Povo /Zé Vicente).

As músicas da RCC (Renovação Carismática Católica), geralmente, conduzem a uma oração subjetiva, com forte apelo emocional, como na música do Pe. Marcelo Rossi, “Espírito, enche a minha vida, enche-me com teu poder, pois em ti eu quero ser...”. Ao contrário, as músicas mais progressistas expressam uma fé que transpõe as barreiras do individual. São orações que desafiam os fiéis para a construção de um projeto coletivo. Exaltam a união, a resistência popular e a solidariedade de Deus com os que sofrem. “No banquete da festa de uns poucos, só rico se sentou, nosso Deus fica ao lado dos pobres, colhendo o que sobrou” (Pão de Igualdade/Vaz Castilho).

Em muitos lugares as músicas que animam as celebrações nas CEB’s causam estranhamento e críticas. Isso porque a Teologia da Libertação vem perdendo força e espaço para os movimentos pentecostais na Igreja Católica. As pessoas vão à Igreja para buscar alívio para as próprias angústias. E o que elas encontram é, justamente, um consolo individual, um sossego que acomoda e que não convoca para a construção de uma sociedade mais justa. No entanto, ainda existem muitos que, corajosamente, continuam a professar uma fé encarnada na realidade, que liberta e não aliena. E esses cantaram sempre ao “Pai-Nosso revolucionário, parceiro dos pobres, Deus dos oprimidos”. (Pai Nosso dos Mártires/Cirineu Kubn).

08/01/08

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e ouça Pai Nosso dos Mártires e Mãe do Céu Morena
Pai Nosso dos Mártires
Cirineu Kubn - Clique aqui para ouvir
Mãe do Céu Morena
Pe. Zezinho - Clique aqui para ouvir

Pai nosso, dos pobres marginalizados
Pai nosso, dos mártires, dos torturados.
Teu nome é santificado naqueles que morrem defendendo a vida,
Teu nome é glorificado, quando a justiça é nossa medida
Teu reino é de liberdade, de fraternidade, paz e comunhão
Maldita toda a violência que devora a vida pela repressão.
O, o, o, o, O, o, o, o

Queremos fazer Tua vontade, és o verdadeiro Deus libertador,
Não vamos seguir as doutrinas corrompidas pelo poder opressor.
Pedimos-Te o pão da vida, o pão da segurança, o pão das multidões.
O pão que traz humanidade, que constrói o homem em vez de canhões
O, o, o, o, O, o, o, o

Perdoa-nos quando por medo ficamos calados diante da morte,
Perdoa e destrói os reinos em que a corrupção é mais forte.
Protege-nos da crueldade, do esquadrão da morte, dos prevalecidos
Pai nosso revolucionário, parceiro dos pobres, Deus dos oprimidos
Pai nosso, revolucionário, parceiro dos pobres, Deus dos oprimidos
O, o, o, o, O, o, o, o
Pai nosso, dos pobres marginalizados
Pai nosso, dos mártires, dos torturados.

 

Mãe do céu morena, Senhora da América Latina
De olhar e caridade tão divina, de cor igual à cor de tantas raças
Virgem tão serena, Senhora destes povos tão sofridos,
patrona dos pequenos e oprimidos
Derrama sobre nós as tuas graças

Derrama sobre os jovens tua luz,
aos pobres vem mostrar o teu Jesus
Ao mundo inteiro traz o teu amor de mãe
Ensina quem tem tudo a partilhar
Ensina quem tem pouco a não cansar,
e faz o nosso povo caminhar em paz

Derrama a esperança sobre nós, ensina o povo a não calar a voz
Desperta o coração de quem não acordou,
Ensina que a justiça é condição, de construir um mundo mais irmão
E faz o nosso povo conhecer Jesus...

PÃO DA IGUALDADE
Ir. Vaz Castilho
OLHA A GLÓRIA DE DEUS BRILHANDO
Zé Vicente

Se calarem a voz dos profetas, a pedras falarão
Se fecharem uns poucos caminhos, mil trilhas nascerão…
Muito tempo não dura a verdade nestas margens estreitas demais
Deus criou o infinito e a vida pra ser sempre mais…

Refrão
É Jesus este pão de igualdade, viemos pra comungar
Com a luta sofrida do povo que quer ter voz, ter vez, lugar
Comungar é tornar-se um perigo, viemos pra incomodar
Com a fé e união, nossos passos um dia vão chegar.

O Espírito é vento incessante, que nada há de prender.
Ele sopra até no absurdo que a gente não quer ver…
No banquete da festa de uns poucos, só rico se sentou.
Nosso Deus foca ao lado dos pobres, colhendo o que sobrou

(Refrão)

Toda luta verá o seu dia nascer da escuridão.
Ensaiamos a festa e a alegria fazendo a comunhão.

(Refrão)

 

Olha a glória de Deus Brilhando, Aleluia (bis).

Nosso Deus é o Artista do universo, é a fonte da luz, do ar, da cor.
É o som, é a musica, é a
Dança, é o mar jangadeiro e pescador.
É o seio materno sempre fértil, é beleza, é pureza e é calor (2x)

Aleluia, aleluia, vamos criar que é pra gloria de Deus brilhar.

Nosso Deus é caminho e caminhada, do seu povo para a Libertação.
Onde quer que esteja um oprimido, é Javé que promove a redenção.
Ele quebra a força do tirano. Ele garante a vitória da união.

Aleluia, Aleluia, Aleluia, Aleluia!
Vamos lutar que é pra glória de Deus brilhar!

Nosso Deus é a voz que se levanta, é a voz, é o gemido, é o clamor.
É o braço erguido para a luta. É o abraço em nome do amor:
É o pé conquistando novo espaço. É a terra, é o fruto, é a flor!

Aleluia, Aleluia, Aleluia, Aleluia!
Vamos amar que é pra glória de Deus brilhar!

Nosso Deus está brilhando noite e dia pelos campos e praças do país.
É a presença na voz da meninada que convoca um futuro mais feliz:
É a infinita razão de plena vida. Todo povo o cantando hoje bendiz!

Aleluia, Aleluia, Aleluia, Aleluia!
Vamos cantar que é pra glória de Deus brilhar!


NEGRA MARIAMA
(Canto Mariano)

PELOS CAMINHOS DA AMÉRICA
Zé Vicente

Negra Mariama, Negra Mariama chama. (Bis)

Negra Mariama chama para enfeitar
O andor porta estandarte, para ostentar.
A imagem Aparecida em nossa escravidão
Com o rosto dos pequenos, cor de quem é irmão.

Negra Mariama chama pra cantar:
Que Deus uniu os fracos, pra se libertar.
E derrubou dos tronos latifundiários,
Que escravizavam, pra se regalar.

Negra Mariama chama pra dançar
Sarava esperança até o sol raiar
No samba está presente o sangue derramado
O grito e o silêncio dos marginalizados.

Negra Mariama chama pra lutar.
Em nossos movimentos, sem desanimar.
Levanta a cabeça dos espoliados,
Nossa companheira chama pra avançar.

Pelos caminhos da América,
Pelos caminhos da América,
Pelos caminhos da América,
Latino América.

Pelos caminhos da América há tanta dor,
Tanto pranto, nuvens, mistérios,
Encantos que envolvem nosso caminhar.
Há cruzes beirando a estrada,
Pedras manchadas de sangue,
Apontando como setas,
Que a liberdade é pra lá.

Pelos caminhos da América há monumentos sem rosto
Heróis pintados, mau gosto, livros de historia sem cor
Caveiras de ditadores, soldados tristes, calados,
Com esbugalhados, vendo avançar o amor.

Pelos caminhos da América há mães gritando, qual loucas,
Antes que fiquem tão roucas, digam onde acharão,
Seus filhos mortos, levados na noite da tirania,
Mesmo que matem o dia, elas jamais calarão.

Pelos caminhos da América, no centro do continente,
Marcham punhados de gente, com a vitória da mão.
Nos mandam sonhos, cantigas, em nome da liberdade,
Com o fuzil da verdade, combatem firme o dragão.

Pelos caminhos da América, bandeiras de um novo tempo,
Vão semeando, ao vento, frases teimosas de paz.
Lá na mais alta montanha, há um pau d’arco florido,
Um guerrilheiro querido, que foi buscar o amanhã.

Pelos caminhos da América há um índio tocando flauta,
Recusando a velha pauta, que o sistema lhe impôs.
No violão um menino e um negro tocam tambores,
Há sobre a mesa umas flores, pra festa que vem depois.

GUARANIS
Gildásio Mendes

OFERTÓRIO DO POVO
Zé Vicente

Ah! Quero ouvir as serenatas
Ver crescer as nossas matas e tocar um violão
Ah! Meu amigo vem cantar
Pois o dia vai raiar e morar nesta canção
Ah! Que saudades do poeta,
Do artista e do profeta
Que o tempo eternizou.
Ah! Como eu falei de flores,
Liberdade, beija-flores,
Que meu coração sonhou.
Ah! Ver crianças pelas praças, paz e pipa, pão de graça
Como cheiro de hortelã.
Ah! Água pura ali na fonte
E a gente a olhar os montes, sem ter medo do amanhã.
Ah! O meu lindo continente, que fez do sangue a semente,
Para ver o sol nascer.
Ah! Nossas matas tão bonitas,
Verdes mares, canto a vida, quando o dia amanhecer.

Ah! Quanta luta na fronteira,
Tanta dor na cordilheira, que o Condor não voou.
Ah! Dança e terra Guaranis,
De uma raça tão feliz que o homem dizimou.
Ah! Vou nos passos de um menino,
No meu coração latino a esperança tem lugar.
Ah! Quando bate a saudade,
Abre as asas liberdade, que não para de cantar.

Quem disse que não somos nada,
Que não temos nada para oferecer.
Repare em nossas mãos abertas,
Trazendo as ofertas do nosso viver.

A fé do homem nordestino que busca um destino,
Um pedaço de chão.
A luta do povo oprimido, que abre caminho,
Transforma a nação.

Ô, ô, ô, recebe, Senhor!
Retalhos de nossa história
Bonitas vitórias que meu povo tem.

Palmares, Canudos, Cabanas são lutas de ontem,
E de hoje também.

Ô, ô, ô, recebe, Senhor!
Aqui fazemos a semente sangue desta gente
Que fecunda o chão.
Do Gringo e tantos lavradores Santos e operários
Em libertação. Ô, ô, ô, recebe, Senhor!


Coragem de quem dá a vida
Seja oferecida neste vinho e pão.
É força que destrói a morte e muda a nossa sorte,
É Ressurreição. Ô, ô, ô, recebe, Senhor!

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