Índios Mapuches em luta no Chile
![]() Índios Mapuches lutam por liberdade no Chile Por Lindinéia Lima Os índios Mapuches estão para o Chile, como os tupis para o Brasil. Quando os europeus chegaram na América do sul, no século XVI, já havia organizações formadas por estes povos. Hoje, eles brigam pelo território da Araucanía, região dos lagos no sul do Chile. Desde o descobrimento do Chile, Pedro de Valdívia teve essa etnia como opositores que não se rendiam à colonização e aculturação espanholas, posição que se mantém firme até os dias atuais. Em Santiago, é comum dizer de uma pessoa que é muito arredia que “é dura como um Mapuche”, uma referência à resistência do grupo perante as autoridades. Os conflitos entre esses povos intensificaram-se desde que o governo ditatorial de General Pinochet cedeu parte do território deles para a colonização alemã, responsável pela cultura de vinho na região. Apesar de muitos mapuches chegarem às universidades ou ingressarem na carreira política, eles mantém firmes os seus propósitos de defender as causas indígenas, como reaverem as terras invadidas pelos europeus e libertar seus presos. Por todo o país encontram-se os dizeres pichados nos muros ou em monumentos históricos, ”Libertad a los presos políticos Mapuches!” Para o professor de história e geografia Carlos G. Hernandez, do liceu de Concepcion, “eles sempre deram muito trabalho para as autoridades do país, porém nunca houve uma política efetiva que, de fato, valorizasse ou atendesse as reivindicações destes povos”, reconhece Hernandez. Para o estudante Carlos Sepúlveda, os índios realmente são, várias vezes, injustiçados, pois um deles pode pegar até 5 anos de prisão pela mesma infração que um chileno descendente de europeu ficaria detido apenas dois dias. O histórico de violência e castigos contra esses povos está registrado em muitos documentos. Como por exemplo, no início da colonização, sempre que pegavam um desses índios rebeldes, a penalidade atribuída era a morte por muito sofrimento, como os métodos “Das mãos cortadas”, que consistia em cortar os membros superiores do condenados para que ele se esvaísse em sangue até a morte. Esta foi a sentença aplicada ao lendário índio Galvarino. Outro método de punição era colocar o condenado sentado sobre uma madeira em formato de cone pontiagudo, ate que esse irrompesse o seu corpo causando muito sofrimento e dor até morrer. Foi o castigo dado ao temido índio Caupolian. Ambas figuras cultuadas pelos povos Mapuches. Governo Bachelet
O Chile tenta solucionar o problema com os índios mapuches. Um impasse que se arrasta há séculos e se acentuou nos últimos anos, com ataques contra propriedades privadas, desestabilizando o governo de Michelle Bachelet. Os mapuches reivindicam a posse das terras na região da Araucanía, sul do país, além da libertação de presos políticos que defendem a causa indígena. Estima-se que haja cerca de 600 mil pessoas da etnia, mas apenas 30% militam na Coordenadora Arauco-Malleco (CAM), um exercito armado que impede a aproximação de fazendeiros na região e atualmente lutam contra a construção de uma hidroelétrica. No início de janeiro de 2008, a morte do estudante de ascendência mapuche Matias Catrileo, 22 anos, pela segurança privada de um fazendeiro, causou comoção e revolta entre o grupo. O acusado alegou que sua família estava sendo ameaçada pelos vizinhos rebeldes, por isso, teve que se defender a tiros. Devido ao incidente, muitas propriedades foram incendiadas pelos índios nas proximidades de Araucanía. A presidente Bachelet foi obrigada a trocar seu ministério e criou, às pressas, uma coordenadoria de políticas indígenas.
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