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Festival folclório chileno mostra que os países latino-americanos são mais próximos do que diz o senso comum

Por Alexandre Barbosa

Grupo QuinchamalíO festival folclórico chileno, que deu início às comemorações das fiestas pátrias chilenas - comemoração da independência do Chile - realizado pela primeira vez no Memorial da América Latina no dia 26 de agosto, mostra que há muito mais semelhanças do que diferenças entre as nações latino-americanas.

Grupos folclóricos homenagearam as regiões chilenas mostrando danças típicas que, com pequenas variações, lembram manifestações de outros países. O espetáculo foi aberto com a apresentação da cueca, tradicional dança chilena e foi encerrado com a emocionante exibição do grupo Canto Libre (clique aqui para saber mais sobre o grupo) que organiza uma atividade no dia 04 de novembro, para lembrar o golpe contra Allende (veja abaixo).

A primeira região a ser caracterizada foi a central, com o Grupo Raíces de Chile que mostrou uma série de cuecas. As roupas lembravam muito os bailes do sul do Brasil, numa mistura de gaúchos com quadrilhas de festas juninas. As brincadeiras de roda das crianças têm o mesmo ritmo das nossas cirandas, assim como os brinquedos, o que mostra a proximidade entre crianças e camponeses latino-americanos.

Em seguida, o grupo Quinchamalí cantou Valparaíso, o porto mais importante do Chile, chamado de a Jóia do Pacífico. Interessante notar como as danças se assemelham aos tangos argentinos. A explicação está no fato de que o tango também nasceu na zona portuária de Buenos Aires. Mulheres com vestidos de cores alegres, com grande fendas e meias do tipo arrastão levavam à loucura jovens bêbados vestidos de terno, grava e chapéu tanto em Buenos Aires como em Valparaíso.

Grupo Pablo NerudaA região sul, outrora terra do povo araucano, foi encenada pelo grupo Pablo Neruda, que trouxe a vestimenta, os instrumentos e costume dos indígenas que habitavam as geladas regiões do sul chileno. Além dos instrumentos, a religiosidade e o respeito à terra são marcas dos povos autóctones, no Chile, no Brasil, no Peru, na Bolivia...

O norte, com todo seu colorido, teve seu carnaval representado pelo grupo Chile Lindo. Marcado por forte influência andina, o norte chileno confunde-se com o altiplano boliviano pois antes eram uma só nação e também com o peruano, porque antes também eram uma só nação quando Simón Bolívar libertou a todos esses povos do domínio espanhol. Com o carnaval brasileiro as semelhanças estão na alegria, nas fantasias e nas danças de rua.

Canto LibrePara encerrar, o grupo Canto Libre fez um emocionante tributo a dois grandes compositores chilenos: Victor Jara e Violeta Parra. Ele, um dos grande nomes da nova canção chilena, que fez da arte uma bandeira de luta. Ela, digna representante da poesia chilena. Destaque para interpretações de canções raras como Canto Libre e El Aparecido, de Jara e El Guillatun e La violeta y la Parra, de Violeta. A emoção tomou conta da platéia quando o grupo interpretou a versão original de La Carta. A última estrofe foi gravada por diversos grupos como "también tengo siete hermanos fuera del que se engrilló, todos revolucionários en favor de mi Dios", enquanto que Violeta cantava: "también tengo nueve hermanos fuera del que se engrilló, los nueve son comunistas con el favor de mi Dios, sí". Escutar a La Carta e Plegaria a un labrador é prova de que a opressão aos que dizem não também é, infelizmente, uma marca da América Latina.

Ato no Centro Cultural Chico Sciense
O Grupo Canto Libre
organiza uma grande atividade em memória ao 11 de setembro e Salvador Allende, no Centro Cultural Chico Sciense, no Ipiranga (esquina da Av. Tancredo Neves com Rua Vergueiro), no dia 04 de novembro. Será uma atividade em conjunto com a Associação Chilena-Brasileira de Amizade em praça publica, com a presenaça de convidados como Chico Pedro, do Raíces de América.

 

27/08/07