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A lenda de Eldorado

Texto adaptado por Lucia Rojos de Perdomo, fala da cerimônia
de consagração dos novos caciques no lendário país
Eldorado, que os invasores procuraram,
pois se supunha ter incalculáveis riquezas.

"No formoso país dos Muíscas, estava tudo pronto para o grande acontecimento: a coroação do novo Zipa, governador e cacique.
Lenda do Eldorado
Em Eldorado, conviviam beleza e riqueza.

A Lagoa de Guatavita, cenário natural e sagrado desta cerimônia, luzia sua supefície tranqüila e cristalina como um gigantesca esmeralda, engastada entre dois lindos morros de encostas floridas e cheias de colibris.

Era grande a agitação em Bogotá, onde vivia o Zipa. Todo o povo iria assistir ao singular evento formando uma imensa procissão até a lagoa sagrada, levando reluzentes jóias de ouro e esmeralda, preciosos vasos e mantas artisticamente tecidas, para ofertar a Chibchacum, o deus supremo, a Badini, deusa das águas, e ao seu novo soberando.

Haviam preparado com antecedência bastante comida e bebida feitas de milho com que se festejavam os acontecimentos importantes da vida.

Tudo seria transportado em vasilhas de diferentes formatos e tamanhos, feitas com paciência e esmero, e em cestos de palha trançada.

A procissão seria encabeçada pelo jovem herdeiro, seguido de seu séquito formado por sacerdotes, guerreiros e nobres. Sereno e majestoso, o Zipa mostrava com seu corpo harmonioso que era forte para a guerra. Sua pelo cor de canela estava pálida pelo rigoroso jejum que havia feito para purificar o corpo e a alma e, assim, implorar aos deuses justiça, bondade e sabedoria para governar seus povo.

Marchavam ao som da cadência dos tambores, trompas e búzios. Lentamente se aproximavam da Lagoa da Guatavita, onde a multidão se reunia cantando alegremente para presenciar o magnífico espetáculo.

O sacerdote do lugar, devidamente paramentado, impôs silêncio à população com um enérgico movimento de braços estendidos. De pele amarelada e muito magro pelos prolongados jejuns, o sacerdote era temido e reverenciado pelo povo. Era o mediador entre os homens e os deuses. Era quem realizava as oferendas e fazia os pedidos. Era quem curava os males do corpo com rezas e a ajuda de plantas mágicas.

O futuro Zipa foi despojado de suas roupas e seu corpo untado com terebintina, substância pegajosa que fixaria o ouro em pó com que seria recoberto.

As pessoas não se mexiam, e som, só se ouviam o coaxar das rãs, animais sagrados para elas, o gorjear dos pássaros e a corrida veloz dos veados.

O ungido parecia uma estátua de ouro. Seu esplêndido corpo, cuidadosamente coberto com o nobre metal, reluzia refletindo os raios do sol. Inteiramente recoberto de ouro, o Zipa, acompanhado das mais importantes personagens da Corte, subiu à grande balsa oval, também feita de ouro pelos ourives de Guatavita. A balsa deslizou suavemente para o centro da lagoa. Lá, depois de invocar a deusa das águas e os deuses protetores, o herdeiro mergulhou na profundidade.

Passaram-se segundos em que apenas se viam os círculos na água onde ele havia desaparecido. O povo parou de respirar e o tempo também parecia ter parado! Finalmente emergiu triunfante e solene o novo monarca. O banho ritual o consagrava como novo cacique. Gritos de júbilo e cantos acompanharam sua aparição e, um a um, os súditos lançaram suas oferendas na lagoa: figuras de ouro, pulseiras, coroas, colares, alfinetes e medalhões, vasos em formas humanas cheios de esmeraldas, cântaros e jarras de barro. O cacique também fez suas ofertas dos mesmos objetos, juntamente com o povo, porém em maio quantidade.

Lenda do Eldorado
O novo Zipa.

A balsa voltou para a margem da lagoa sob aclamação geral. Tinham agora um novo cacique que deveria governá-los de acordo com as sábias normas do lendário antecessor e legislador Nemequene, baseadas no amor e na dedicação ao trabalho e às artes; na coragem e honradez na guerra; na virtude, justiça e disciplina.

Começaram, então os jogos de campeonatos onde os vencedores eram premiados. Durante os três dias seguintes consagrados à celebração, cantaram e dançaram sem parar. Ao som dos tambores e apitos que ressoavam pelas montanhas, centenas de índios acompanhavam o ritmo ora tranqüilo, ora frenético.

Passados os dias de comemoração e de comida e bebida abundantes, a população voltava à vida norma: os agricultores cuidando da terra, os oleiros trabalhando com o barro, os ourives com o ouro, outros explorando as minas de sal e de esmeraldas, e a maioria trabalhando no comércio que era a principal atividade.

E assim o tempo passaria até que uma guerra, uma doença ou a velhice os privasse do monarca, e fosse necessário realizar uma outra cerimônia para ungir um novo cacique. Este deveria continuar governando com prudência e sabedoria o povo e o fértil e lindo país, rodeado de formosa vegetação e de cristalinas vertentes de água."

Leia a análilse sobre essa lenda


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