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O triste olhar da indústria jornalística sobre o México

Por Alexandre Barbosa
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Batalha de PueblaAo procurar notícias sobre o México nos jornais da indústria jornalística brasileira durante o dia 5 de maio de 2009, o leitor vai se deparar com várias notícias sobre a gripe rebatizada de Influenza A pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

É preciso muito esforço para encontrar, apenas em sites de agências de notícias especializadas, alguma notícia sobre o feriado de “5 de mayo”, uma data muito importante para o povo mexicano e que, curiosamente, tem penetrado nas fronteiras norte-americanas.

Em 5 de maio de 1862, na cidade de Puebla, as tropas mexicanas derrotaram o ataque dos invasores franceses, que eram considerados um dos melhores exércitos da época. O México era governado pelo liberal Benito Juárez que, após vencer a guerra civil contra os conservadores – formados pelas elites mexicanas, iniciou um processo de renegociação da dívida externa, que não seria paga por dois anos. Um dos credores, a França, governada por Napoleão III, tinha planos imperialistas para a América e decretou a invasão militar do México. As tropas mexicanas eram formadas por soldados que defendiam os interesses da pátria, além de indígenas e camponeses. Numericamente, eram metade dos soldados franceses, mas ganhavam em energia e amor à luta. Após essa vitória, o presidente Juárez decretou feriado nacional.

Desde então, o 5 de mayo se tornou uma data nacional da formação do México como uma nação. Nos EUA, principalmente nos estados que antes pertenciam ao México, a data também é lembrada, porém com um significado de homenagem às origens. Há que se estudar, mas a presença dos imigrantes mexicanos também tem aumentado as comemorações.

Seria papel da imprensa tratar deste tema. As relações EUA-México são marcadas por períodos de tensão. Hoje a nação do norte acusa os mexicanos dos males sociais, do desemprego ao tráfico de drogas e violência. Um muro foi erguido na fronteira. No entanto, é curioso ver como a cultura mexicana se embrenha nos EUA.

Porém, o que a indústria jornalística se limita a cobrir é o factual. E mesmo assim, foi preciso que o número de infectados no México ultrapassasse uma centena para que nossos jornais dessem as primeiras linhas. Na sexta-feira imediatamente anterior ao comunicado da OMS sobre o surto da gripe, nenhuma nota sobre os mexicanos que sofriam. Quando a gripe ultrapassou fronteiras e o primeiro caso chegou aos EUA, nossa imprensa noticiou.

É esse o triste olhar da imprensa sobre a América Latina. A região só é pauta quando acontece um fato extraordinário, sensacional, que aponte para o exótico, para o espetáculo ou para a condição de periferia.

O site Latinoamericano.jor há um mês divulga um concurso de reportagem sobre a América Latina, voltado para estudantes e profissionais de comunicação. As pessoas são informadas sobre o concurso, se interessam, mas não se inscrevem. “Não sei do que falar sobre América Latina”, argumentam. Nessa toada, a América Latina estará definitivamente condenada a novos cem anos de solidão.

 

 



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