Memória de Allende morreu para grande mídia em
11 de setembro de 2001

Ivy Garcia*

A grande imprensa parece ter esquecido por completo o sangrento ano de 1973 vivido pelos chilenos. Após o ataque terrorista aos EUA em  11 de setembro de 2001, a grande imprensa brasileira parece ter esquecido completamente que, muito antes, os chilenos sofriam um duro ataque, coincidentemente também em 11 de setembro porém, em1973 em decorrência de um golpe militar que derrubou o presidente eleito Salvador Allende.

A grande imprensa, cumprindo seu papel principal que é informar, poderia relembrar os tanques e aviões bombardeando o  La Moneda, palácio presidencial chileno e a morte do presidente Salvador Allende na mesma proporção em que  há 6 anos mostram  as torres gêmeas vindo ao chão.

Seria, da mesma forma gratificante, assistir nos telejornais, reportagens especiais sobre o papel dos EUA no golpe militar a partir dos documentos americanos que foram abertos em 1999. As informações possibilitaram o esclarecimento sobre a responsabilidade de Washington na derrubada de Allende e o apoio à instalação do general Augusto Pinochet

Esses dados vieram a publico após 30 anos de debates sobre o assunto.  Mesmo tardio, ficou patente que  as operações secretas da CIA  no Chile, entre 62 e 75, tentaram impedir a eleição de Allende e desestabilizar seu governo. Após o cruel golpe militar, também houve o apoio americano no regime ditatorial.

O 34º aniversário do golpe chileno deve ser motivo de reflexão em memória de tantas vítimas da ganância e intolerância, e, principalmente a imprensa deve garantir aos cidadãos latino-americanos, o direito de assistir, ler e ouvir sobre um assunto tão importante e que marcou a história da America Latina.



* Ivy Garcia é estudante de jornalismo do Centro Universitário Nove de Julho